quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Caserna, Democracia e Segurança Pública.

Com a modernização das instituições policiais, principalmente no tocante aos profissionais que as integram, diversas considerações e dúvidas têm encontrado debate franco no seio da sociedade. A começar: qual a verdadeira função da Polícia na sociedade? Como ela é vista internamente? Como são, pensam e agem seus integrantes? Para se combater a criminalidade, é necessário que a instituição policial expresse confiança e respeito social. A começar internamente. Não se consegue o respeito de pessoas com opressão e regulamento arcaicos, draconiano. Por outro lado, a disciplina deve ser exemplificada de maneira sadia: a palavra convence; o exemplo arrasta! Não há forma de uma Instituição Policial prestar seus serviços – cada vez mais complexos - se no lugar da moral existir a hipocrisia... é a hiena trajada de cordeiro. A democracia a que me refiro não se restringe somente ás liberdades formais, não se define por uma igualdade que pouco ou nada significa; ela é participação organizada, coerência com o momento atual, respeito ás diferenças de pensamento, promoção das condições para uma vida humana digna, respeito sem distinção hierárquica e concretização crescente dos Direitos Humanos – Sim, Direitos Humanos é coisa de Polícia!!!Pois o Policial é uma coisa que nunca a mídia comente: HUMANO, TRABALHADOR e CIDADÃO. Logo, a questão da segurança está ligada ás políticas públicas – Desde a colocação de uma lâmpada em uma esquina mal iluminada até a doação de remédios por parte do governo – que consigam ordenar os investimentos no sentido de dar condições dignas de vida aos cidadãos e profissionais da área, com a possibilidade destes influírem nas decisões que digam respeito ás suas vidas. Não se policia uma sociedade com equipamentos ultrapassados, com veículos em frangalhos, rádios com defeito ou mesmo com postos e delegacias espalhados de modo irregular, sem efetivo suficiente. Uma polícia que com tais condições não realiza sua tarefa constitucional. Por outro lado, a mesma tem se tornado cada vez mais uma prestadora de serviços de saúde, em detrimento do combate e prevenção ao crime: alguém corta o pé, chama a polícia; tem crise renal vem uma viatura... um repasse de tais ocorrências ao Bombeiro Militar e hospitais, que tivessem ambulâncias, socorristas e enfermeiros dinamizaria o trabalho policial. O problema da dispersão de Policiais, designados para tarefas que não são ligadas aos objetivos da missão policial, ao mesmo tempo em que cortam a cidade de um lado para outro, a fim de cumprir sua jornada, em alguns casos cara para seus bolsos, tem menor eficácia em razão do cansaço propiciado. No seio da sociedade, devido ao distanciamento tomado na ditadura, criaram-se os pensamentos que a criminalidade é um mal que deve ser extirpado e o combate ao crime é responsabilidade exclusiva da polícia, sendo que este último e perigoso pensamento assemelha-se a tentar enxugar o chão da cozinha com a torneira da pia quebrada; uma atitude paliativa que nada resolve se a raiz da questão não for tratada com urgência e seriedade por pessoas competentes, e não por “policiólogos dedos-frios” (aquele sujeito que diz ser entendido em segurança pública, faz seu discurso em coquetéis buscando aprovação popular com pretensões políticas, enquanto mexe o gelo do copo de uísque com o dedo indicador). Pensa-se muito na dignidade dos destinatários das ações de segurança pública. É necessário ressaltar que os policiais também são cidadãos com direitos e deveres, ainda que a sociedade cobre somente este último, devendo a sua dignidade ser respeitada desde o momento em que adentra á organização que escolheu para trabalhar no primeiro dia de curso, tendo uma sobrevivência digna, a fim de poder exercer sua perigosa profissão com um mínimo de segurança para si e para os seus. Sem policiais bem treinados, civicamente preparados, bem pagos, livres de regulamentos arbitrários (que só servem para legitimar hierarquias discutíveis) e educados para servir á sociedade, não haverá possibilidade de assegurar uma vida de paz para a sociedade e a sobrevivência da corporação.

3 comentários:

  1. Amigo Alves,
    Parabéns pelo excelente texto, demonstração de conhecimento e engajamento pessoal e profissional.
    Excelente demosntração de que nós, policiais militares, também somos humanos, e possuimos conhecimento acerca dos assuntos inerentes à nossa profissão e também aos anseios da sociedade.

    Um grande abraço

    Charles Viccari

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  2. "A polícia é política e não existe vontade política de se fazer polícia".
    Caso não esteja enganado, falei esta frase em 1981, na ocasião, cadete do 2º ano do CFO. Apesar de não entender nada ou quase nada de 'polícia', não estava errado.
    Nada mudou, exceto os 'vermelhinhos' que contribuem para que este país seja uma terra de ninguém.
    Os policiais militares atualmente são mais preparados tecnicamente, porém não possuem a "camisa", aquela "segunda pele" que a farda sempre representou...
    Novos tempos? Por que isto aconteceu?

    Abração

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  3. Sd douglas
    parabens alves pelo blog!
    criticas muito inteligentes!
    espero q continue escrevendo!
    abraçao parcero!

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